O encanto da simplicidade

 

Acabei de assistir o 3º episódio da nova série Cosmos. E é inevitável me pegar pensando em como a cena final dele me emocionou. Talvez essa seja a maior das semelhanças e também a maior das divergências entre pessoas profundamente religiosas e eu. Ambos conseguimos extrair o máximo de emoção ou sentimento de um determinado evento, por mais trivial que seja; e então divergimos profundamente. Uns veem a beleza no próposito, no significado; Já eu, vejo a beleza exatamente no oposto. O tic-tac cósmico, a hamonia que emerge do caos do espaço. Para mim nada é mais emocionante, nem mais audacioso, do que tentar intender o nosso lar sem as amarras do propósito, ou as correntes do significado. Quem me dera transmitir o furor de emoções e os arrepios na espinha que sinto sempre que penso nas 400 bilhões de estrelas de nossa galáxia, ou de saber que existem outras bilhões universo à fora. Ou o eriçar dos pelos da nuca pelo vislumbre de um átomo ou espaço “vazio”.

Tanta coisa a se buscar, a se aprender. E alguns ainda conseguem se trancar na pequeneza de suas próprias mentes, como um barco que naufraga antes mesmo de granhar os mares. Alguns veem na falta de propósito do mundo a causa perdida; isso é normal. Esse é o desespero que a liberdade causa àqueles que viveram presos. O que muitos veem como causa perdida, eu vejo como oportunidade. Por que existir um propósito, quando cada um pode fazer o seu próprio? Infelizmente a maioria das pessoas que conheço querem a liberdade, o livre arbítrio, mas rejeitam a sua forma mais pura: a falta de propósito. Como se, culpada pela sua simplicidade, ela não fosse digna de ser aplaudida, admirada.

Talvez esse seja o maior problemas das pessoas. Elas deixaram de admirar as coisas belas pela sua simplicidade. No meio de smartphones, computadores e sapatos com tecnologias espaciais, até olhar o desabrochar de uma flor parece requerer a manipulação de um laureado ao Nobel. Talvez nós olhamos por tanto tempo para o abismo que agora nos sentimos vigiados por ele; talvez lutamos contra tantos monstros que acabamos nos tornando um.

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