Qual é a ameça Seu Bento?

Casamento homoafetivoO título estranho deste post se deve a um comentário feito por um ex-colega de trabalho no meu Facebook. Quando compartilhei a imagem acima, ele comentou que “está com bento xvi”, e fiquei me perguntando qual argumento poderia ser usado para validar tal raciocínio. A única conclusão possível foi o fato de um casal homoafetivo não poder gerar filhos desta união.  Baseado nisso fiz um breve estudo sobre o assunto e quero compartilhar o que pude observar.Não creio que um casal, seja hétero ou não tenha obrigação de gerar filhos de sua união. Acredito que a decisão de ter uma criança deve ser tomada levando em consideração uma série de variáveis e que cada um conhece seus limites. É mais válido optar por não ter uma criança do que gerar uma vida e não se responsabilizar por ela. Mas supondo que seja de fato este o argumento, a solução seria simples: adoção! Só no Brasil temos cerca de 40 mil crianças vivendo em abrigos, das quais aproximadamente 5,4 mil estão aptas à adoção. Felizmente hoje já temos casos de parecer favorável a casais do mesmo sexo nos pedidos de adoção.

Imagino que a contra-argumentação sobre a adoção homoafetiva seja que o desenvolvimento psicossociológico da criança seja prejudicado ausência de uma configuração familiar considerada “normal”. Vou aqui substituir o termo “normal” que para mim neste contexto soa extremamente preconceituoso pelo termo “tradicional”. No estudo que fiz procurei artigos que relacionem o fato de uma criança ser criada por um casal homoafetivo a qualquer dano ou distúrbio psicológico. Não encontrei nenhum artigo relacionando qualquer dano ao fato da criança crescer em um lar com essa configuração (procurei na base SciElo com mudanças nas palavras-chave, se alguém encontrar por favor poste nos comentários). Se pararmos para pensar, boa parte das crianças em situação de vulnerabilidade vem de uma família tradicional. Então é seguro afirmar que a heterossexualidade do casal não dá garantia alguma de que este seja um ambiente propício ao desenvolvimento psicossocial da criança. A orientação sexual não é relevante para definir a estrutura que um casal tem a oferecer a uma criança.

Deste modo está resolvida a grande ameaça a humanidade que o papa alega que venha da união homoafetiva. Inclusive com grandes ganhos para crianças que precisam de um lar. Já ouvi pessoas que possuem um nível tão alto de preconceito que chegam a afirmar que é preferível que uma criança cresça num abrigo do que na companhia de um casal gay. Neste ponto eu abro mão da discussão porque já não há argumentos, apenas o preconceito em sua forma mais dura e cruel. Estas mesmas pessoas preferem fechar os olhos e mudar de assunto quando falo na real ameaça a raça humana, quando um adulto se esconde atrás de uma batina e trai a confiança que um menor lhe deposita e comete a barbárie de lhe roubar a inocência.

Para os que até o momento compartilham da mesma opinião do papa, pensem que se as igrejas no geral resolvessem compartilhar o pão como lhe foi mandado ou invés de distribuir bíblias, se resolvessem ajudar a reduzir as desigualdades deste mundo e se preocupassem menos com a vida alheia, talvez este mundo tivesse milhões de pessoas a menos sofrendo neste momento. Mas se preocupar com a vida alheia é de graça, ajudar o próximo é mais caro.

Fontes:

http://www.cnj.jus.br
http://www.adocaobrasil.com.br

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